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em idas e vindas,
navegando as nuvens
e o azul turquesa,
todos os sonhos antigos,
misturam-se aos novos e se fundem
criando em minhas ilhas
uma concretude rarefeita.

dos grãos dessas lembranças
levadas ao mar pelo mar
forma-se o lamaçal de impossíveis,
onde brotam…

…todas as possibilidades!

( Aeroporto de Brasília - 28/07/2008 )

“Quando eu ainda estava moço
Algum pressentimento
Me trazia volta e meia
Por aqui
Talvez à espera da garota
Que naquele tempo
Andava longe,muito longe
De existir
Tantos tristes fados eu compus
Quanto choro em vão,bolero blues
Eis que do nada ela aparece
Com o vestido ao vento
Já tão desejada
Que não cabe em si

Neste crucial momento
Neste cruzamento
Se ela olhar para trás
É bem capaz de num lamento
Acudir ao meu olhar mendigo
Mas aquela ingrata corre
E a Barão da Torre e a Vinícius de Moraes
São de repente estranhas ruas
Sem o seu vestido ficam nuas
E ao vento eu digo
-tarde demais

Quando ela já não mais garota
Der a meia-volta
Claro que não vou estar mais nem aí”

( Bolero Blues - Jorge Helder e Chico Buarque )

“No turvo seco de uma casa esvaziada da presença de um dragão, mesmo voltando a comer e a dormir normalmente, como fazem as pessoas banais, você não sabe mais se não seria preferível aquele pântano de antes, cheio de possibilidades - que não aconteciam, mas que importa? - a esta secura de agora. Quando tudo, sem ele, é nada.”

(Os dragões não conhecem o paraíso - Caio Fernando Abreu)

riverside

minha parte
minha arte
meu tesouro
meu consolo
meu conforto
mais um porto…

( Macapá, 13/06/2008 )

…o Pessoa…

“…Gelaram todas as mãos cruzadas sobre todos os
peitos…
Murcharam mais flores do que as que havia no
jardim…
O meu amar-te é uma catedral de silêncios eleitos,
E os meus sonhos uma escada sem princípio mas
com um fim…”

( Hora Absurda - Fernando Pessoa )

canto lunar

podes ir,
mas dessa vez,
vai sozinha,

eu fico aqui,

inteiramente,
intensamente,
integralmente,

pela metade!

( Luanda, 25/02/2008 )

anima

ah, alma indecisa,
não eram raízes que buscavas?
em qual das madrugadas,
o calor da seiva
se transformou no frio aço
que te prende ao chão?

ah, alma inquieta,
porque buscas vendaval
se tudo que precisas
é de brisa tranquila?

ah, alma estrangeira,
tu que já sentiu
com os próprios pés
o amparo geológico
de terras ancestrais,
porque cambalear
em teu próprio chão?

ah, alma covarde,
quando é que vais deixar
de apenas habitar este corpo
para se transubstanciar
em essência, vida e carne?

( salvador, 30/05/2008 )

Estrada Nova

Dia 07 de Junho, Oswaldo Montenegro em Petrolina, vamo?

Eu conheço o medo de ir embora
Não saber o que fazer com a mão
Gritar pro mundo e saber
Que o mundo não presta atenção
Eu conheço o medo de ir embora
Embora não pareça, a dor vai passar
Lembra se puder
Se não der, esqueça
De algum jeito vai passar
O sol já nasceu na estrada nova
E mesmo que eu impeça, ele vai brilhar
Lembra se puder
Se não der esqueça
De algum jeito vai passar
Eu conheço o medo de ir embora
O futuro agarra a sua mão
Será que é o trem que passou
Ou passou quem fica na estação?
Eu conheço o medo de ir embora
E nada que interessa se pode guardar
Lembra se puder
Se não der esqueça
De algum jeito vai passar

palavreado

poucas palavras…

mas palavra,
é partícula essencial…
e eu aqui me perguntando:
qual a cor do som?!

carpe diem,
look around,
sky is blue…

and “i´m crazy,
crazy for feeling so blue!”

( Salvador - 27/05/2008 )

looking around

“The sun is up, the sky is blue”

e se,
de repente,
o mundo todo mudar de tom?
se em tudo houver som?
se nem tudo for dor
e até o cinza for cor?

talvez aí a gente descubra:
que sempre haverá beethoven,
os beatles ainda encantam,
e sempre,
mesmo se a gente nunca for lá,
sempre haverá Paris!

( Salvador - 14/05/2008 )

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