Vivemos de olhares
Em todos os lugares
E a gentileza em nós nos faz
Heróis covardes
Dois bichos desejando
Em jaulas diferentes
Num cio infindo atrás de grades
E a possibilidade
de gozo e de saudade
Floresce sem dar fruto
E o luto sem saída
Da hora não vivida
É bem pior pro coração
que a despedida
Entre a neblina ouvimos
o som dos nossos sinos
E ansiamos nos tocar
Os olhos criam luzes
Cada encontro
os teus olhos barcos pedem aos meus
Um cais
Nas noites estreladas
com velas desfraldadas
Vejo você se aproximar
E os olhos brilham
Ascendo a minha quilha
Enfeito toda ilha
Pra esse encontro imorredouro
E no ancoradouro
As flâmulas que a aceno
Se cobrem de sereno
São lágrimas choradas
Em cada madrugada
Quem viu o amor renunciar
ao desvario?
Mas no fim da viagem
Na hora da abordagem
Sinto você se desviar
Netuno sopra as luzes
Fim do encontro
Os teus olhos barcos gritam adeus
no mar dos meus.
Primeiro: se essa música foi escolhida por falar de alguém em especial, nossa, essa moça deve andar bem contente por tamanha atenção. Felizarda, minhas congratulações, não deixa ele ir embora não.
Se não for esse o caso, parabéns para você sozinho, porque a letra é muito interessante. A melodia eu não conheço, mas só por “Os teus olhos barcos pedem aos meus um cais”, posso dizer: eu p-r-e-c-i-s-o dessa música (risos).
E saiba que eu também. Sim! Eu também gosto muito de canções que usam o mar, o rio, as águas enfim, como fonte metafórica. Até separei uns trechos logo abaixo. Divirta-se.
Choro contigo barco
Nas ondas vagas incertas
As nossas velas abertas
São ferramentas do caos
Chore comigo barco
A sina de todos os naus
(Chico César)
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Seu coração é um barco de velas içadas
Longe dos mares, dos tempos, das loucas marés
(…)
Nunca soltou as amarras
Nunca ficou à deriva
Nunca sofreu um naufrágio
Nunca cruzou com piratas e aventureiros
Nunca cumpriu os destinos das embarcações
(Ivan Lins / Vitor Martins)
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No porto de Vila Velha
Vi Anabela chegar
Olho de chama de vela
Cabelo de velejar
Pele de fruta cabocla
Com a boca de cambucá
Seios de agulha de bússola
Na trilha do meu olhar
Fui ancorando nela
Naquela ponta de mar
No pano do meu veleiro
Veio Anabela deitar
Vento eriçava o meu pelo
Queimava em mim seu olhar
Seu corpo de tempestade
Rodou meu corpo no ar
Com mãos de rodamoinho
Fez o meu barco afundar
Eu que pensei que fazia
Daquele ventre meu cais
Só percebi meu naufrágio
Quando era tarde demais
Vi Anabela partindo
Pra não voltar nunca mais
(Mario Gil e Paulo César Pinheiro)