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Arquivo da categoria ‘Pílulas’

principia a primavera,
e em minha varanda
sopra uma suave brisa,
enquanto busco a rima,
de cantar quem me encanta

mas nem toda rima é tanta
e buscando a primazia,
tem gente pinta,
tem gente que dança,
tem gente que cria,
tem gente que corre,
tem gente que anda…
faço minha parte,
escondendo a verdade,
rimando pela noite,
navego em liberdade.
aporto seguro
no cair da tarde,
descanço da lida,
aprendendo a cidade.
( Salvador [...]

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Oi… alô… você tá escutando… não, não desliga… não vou me alongar…
Só queria dizer que é bom e dói. É bom te ver feliz ou te imaginar feliz mesmo sem te ver. Mas na minha janela a lua hoje nasceu amarela, minha filha dorme aqui ao meu lado, um amigo voltou da Europa e vem [...]

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entre poetas, músicos e atores
busco afluência em nossos astros
mas você não canta,
e eu, tímido,
toco sozinho,
aqui no meu canto,
e mesmo essa sombra de você,
assim de longe,
ilumina minha caverna,
inspirando meu canto.
( eu mesmo – Agosto/2008 )

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ficando moço,
lambendo a cria,
fraterno gozo,
pequena neta,
pequeno pai,
avô zeloso,
pula a menina,
brinca o menino,
ficando idoso…
( Salvador – Inverno/2008 )

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Volta às aulas

é quando a contradição
encontra a síntese
e a dor
me faz chorar de rir
todo som já desafina
e toda letra desatina,
sem qualquer gesto,
sem qualquer rima…
já não tem circo,
não tem pipoca
nem tem piscina!
o circo se foi,
e na lona levou,
minha menina…

( Salvador, Inverno/2008 )

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E o que mais me impressionou foi aquela fluidez tranqüila ao falar de seu amor, fluida e tranqüila como a vida naquela pequena cidade, fluidas e tranqüilas eram as palavras, entre um trago e outro do cigarro, entre um gole e outro da cerveja, seu contar era calmo, sem o barulho, a gritaria, a embriaguez, [...]

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em idas e vindas,
navegando as nuvens
e o azul turquesa,
todos os sonhos antigos,
misturam-se aos novos e se fundem
criando em minhas ilhas
uma concretude rarefeita.
dos grãos dessas lembranças
levadas ao mar pelo mar
forma-se o lamaçal de impossíveis,
onde brotam…
…todas as possibilidades!

( Aeroporto de Brasília – 28/07/2008 )

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riverside

minha parte
minha arte
meu tesouro
meu consolo
meu conforto
mais um porto…
( Macapá, 13/06/2008 )

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canto lunar

podes ir,
mas dessa vez,
vai sozinha,
eu fico aqui,

inteiramente,
intensamente,
integralmente,
pela metade!

( Luanda, 25/02/2008 )

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anima

ah, alma indecisa,
não eram raízes que buscavas?
em qual das madrugadas,
o calor da seiva
se transformou no frio aço
que te prende ao chão?
ah, alma inquieta,
porque buscas vendaval
se tudo que precisas
é de brisa tranquila?
ah, alma estrangeira,
tu que já sentiu
com os próprios pés
o amparo geológico
de terras ancestrais,
porque cambalear
em teu próprio chão?
ah, alma covarde,
quando é que vais deixar
de apenas habitar [...]

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